A Em um movimento já esperado pelo mercado, o comitê do
Banco Central cortou os juros básicos da economia em 0,25 ponto percentual
O Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu, por unanimidade, ontem, reduzir pela quinta vez seguida a taxa básica de juros (Selic) em 0,25 ponto percentual, de 14% para 13,75% ao ano, na última reunião antes das eleições presidenciais.
No comunicado, o colegiado do Banco Central (BC) evitou antecipar seus próximos passos e repetiu que, devido aos riscos associados à evolução dos preços, a magnitude total do ciclo de queda dos juros será definida “à luz de novas informações visando assegurar a convergência da inflação à meta”.
Os juros estão no menor patamar desde março de 2025, quando estavam em 13,25% ao ano. Desde o início do recuo da Selic, em março, foram cinco cortes consecutivos de mesma intensidade, de 0,25 ponto percentual, com queda acumulada de 1,25 ponto percentual.
Esse é um dos ciclos mais suaves de redução de juros realizados pelo Banco Central desde a criação do sistema de metas para a inflação, em 1999. O processo vem sendo chamado de “calibração” pelo colegiado em sua comunicação. O comitê voltou a divulgar um comunicado mais sintético depois dos ruídos provocados em junho e não trouxe grandes novidades no texto. A decisão do Copom veio em linha com a projeção consensual do mercado financeiro.
Levantamento feito pela “Bloomberg” mostrou que os 33 analistas consultados esperavam
outro corte de 0,25 ponto percentual na Selic. Na chamada “superquarta”, Brasil e Estados Unidos fizeram movimentos opostos na condução dos juros. Mais cedo, o Federal Reserve (Fed), banco central dos Estados Unidos, elevou a taxa em 0,25 ponto percentual, para o intervalo de 3,75% a 4%, na primeira alta desde julho de 2023.
Com isso, a diferença entre a Selic e o teto do intervalo dos juros americanos caiu para 9,75 pontos percentuais, o que pode contribuir para a saída de capitais do Brasil e pressionar o câmbio. Enquanto o cenário externo permanece desafiador, principalmente pela guerra no Irã, o ambiente doméstico evoluiu de maneira favorável ao BC. Fatores como o recuo da inflação corrente e a desaceleração da atividade econômica pesaram na decisão do Copom de seguir cortando os juros.
A inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (Ipca) desacelerou para 4,22% no acumulado de 12 meses até agosto, puxada pela queda da conta de luz, sob o impacto temporário do bônus de Itaipu. Assim, a inflação permaneceu pelo segundo mês consecutivo abaixo do teto da meta perseguida pelo BC.
O centro da meta do BC é de 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos. No modelo de meta contínua, em vigor atualmente, o objetivo é considerado descumprido pela autoridade monetária quando a inflação acumulada em 12 meses permanece durante seis meses seguidos fora do intervalo, que vai de 1,5% (piso) a 4,5% (teto).
Referência – No cenário de referência do Copom, a estimativa de inflação subiu de 5,1% para 5,2% para este ano e de 3,8% para 3,9% para 2027. A expectativa para o primeiro trimestre de 2028 se manteve em 3,2%. Devido aos efeitos defasados da política de juros sobre a economia, o BC já tem março de 2028 na mira.
Nesse horizonte, as expectativas de inflação seguem distantes da meta. Conforme os dados do último boletim Focus, as projeções dos economistas para o Ipca de 2027 e 2028 estão em 4,3% e 3,8%,
respectivamente. Quanto ao fôlego da atividade econômica, os indicadores recentes reforçaram a percepção de que os juros elevados estão afetando o dinamismo da economia brasileira.
Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro desacelerou no segundo trimestre, com avanço de 0,5% na comparação com os três
meses imediatamente anteriores. O recuo da taxa que mede o consumo das famílias contribuiu para a desaceleração do indicador. O resultado veio após alta de 1,1% no primeiro trimestre.
O Copom volta a se reunir nos dias 3 e 4 de novembro, quando já será conhecido o resultado das eleições presidenciais. Seis das oito reuniões previstas para o ano já foram realizadas, todas com quórum reduzido, devido à ausência de dois diretores do BC.
Fonte: Diário do Comércio


